ANÁLISE FINAL DA ENQUETE POR ROBERTO RUSSO, MÉDICO VETERINÁRIO DA AILA

Atingido o final da enquete promovida pela Aliança Internacional do Animal sobre animais mantidos em corrente, levamos o resultado à análise de quem entende de animais e seu bem estar, Dr Roberto Russo- médico veterinário da AILA. Acompanhe suas colocações:


ROBERTO RUSSO, MÉDICO VETERINÁRIO DA AILA

E: Entrevistador
RR: Roberto Russo

E: Dr Roberto, obrigado por nos receber em meio a tantas atividades aqui na AILA!

RR: Sou eu quem agradeço a oportunidade de colaborar com esse trabalho e poder ajudar a esclarecer as pessoas sobre alguns aspectos quanto ao bem estar dos animais.

E: Na enquete sobre animais na corrente, tivemos a participação de 364 pessoas, sendo que 2 delas (0,55%) votaram na opção “sou a favor e faço isso”. O que o senhor acha disso?

RR: Acho que esse número inexpressivo demonstra que felizmente as pessoas estão se conscientizando sobre os malefícios que algumas práticas podem ocasionar aos animais.
Infelizmente, não são todas as pessoas que tem interesse no assunto, preferindo agir por suas convicções pessoais, o que nem sempre representa o melhor ao seu animal de estimação. De qualquer forma, essa resposta aparentemente mostra que algumas pessoas mantem o seu cão na corrente sem sequer saber porque adotam essa prática.
Isso sem falar sobre os riscos: já tivemos muitos casos aqui de pessoas que prenderam a coleira do animal na corrente e ali o deixaram, apenas fornecendo comida e água. Só que se “esqueceram” de que o animal cresce, engorda e a coleira deve ser trocada. Ou seja, o animal cresceu, a coleira ficou apertada, presa na corrente e houve sérias lesões no pescoço do animal, tendo em alguns casos quase o levado à morte. Se o animal não estivesse ali acorrentado, o seu dono já teria percebido que ele estava incomodado com a coleira inapropriada!

E: 12,91% das pessoas (47 votos) concordam com o animal mantido na corrente, se ele for bravo. O que poderia dizer a elas?

RR: Cada animal possui uma personalidade diferente, que se desenvolve conforme a educação que lhe é dada pelo dono. Se um animal é agressivo e bravo, assim o é porque o seu dono adotou essa linha de comportamento na educação. Então, antes de mais nada, tome muito cuidado em como agir com o animal de estimação quando for filhote ou recém-chegado no novo lar, pois ele aprenderá nesse momento que tipo de personalidade deve ter para agradar ao seu dono.
Se o animal já for bravo, mantê-lo na corrente não resolverá o problema e sim poderá trazer problemas à saúde do mesmo, como stress, agressividade contra todas as pessoas e contra outros animais, instabilidade comportamental.... .
Se o objetivo é ter um cão de guarda no imóvel, não há porquê mantê-lo acorrentado, sendo sim o correto cercar o imóvel de forma segura e deixar avisos de que há animal bravo no local.
Afinal, para que ter um animal com o propósito de segurança mantido acorrentado, uma vez que bastaria a um ladrão desviar do animal preso e cometer o crime do mesmo jeito?

(enquanto fazíamos a próxima pergunta, tivemos que interromper a entrevista, pois chegou na AILA uma senhora carregando um filhote de vira-lata envenenado. Segundo a mesma, foi um vizinho que jogou veneno de rato em seu quintal, por cima do muro.O dr Roberto prontamente atendeu o animal, que teria morrido em questão de minutos, se não fosse atendido!!! A senhora foi encaminhada ao consultor jurídico da ONG, para saber como denunciar o criminoso!!)

E: 6,32% das pessoas (23 votos) responderam que acorrentam o animal para que o mesmo não fuja. Isso é a melhor solução?

RR: Se o animal tem a tendência de fugir, o melhor que o seu dono deve fazer é manter o imóvel devidamente cercado, com a altura do muro adequada ao porte do animal. Em caso de tela ou grades, devem as mesmas serem revisadas periodicamente, evitando que se desgastem naturalmente ou o animal vá ao longo do tempo estragando as estruturas, pois fatalmente fugiria por ali!
É muito mais fácil fazer essa análise e avaliação do que manter o animal acorrentado e em risco de desenvolver doenças que comprometeriam seu bem estar, o que pode ser evitado facilmente.
Não há sentido em adotar um animal de estimação e priva-lo da liberdade como se não tivesse a necessidade de andar, circular, explorar o meio em que vive.... .
Outra solução é esterilizar o animal. Há muito e muitos casos de animais que, castrados, perderam essa tendência de fuga, sem perder as outras características e sem alterar a personalidade.

E: 292 pessoas, totalizando 80,22% dos votos, concordaram que animal não deve ser acorrentando e são totalmente contra. É um número bem expressivo né? 

RR: Com certeza! Nossa batalha aqui na AILA é para que esse número sempre cresça e sabemos que isso só ocorrerá quando as pessoas estiverem bem informadas sobre como manter e viver com um animal de estimação. Nem sempre as pessoas agem por maldade, bastando uma mera conversa e esclarecimento para que mudem a maneira de lidar e tratar um animal, ainda que seja de rua.
Mas, se mesmo informada uma pessoa adota práticas que maltratam os animais e os coloquem em risco, aí sim deve ser responsabilizada pelas leis e responder pelo crime de maus tratos e abuso.

E: Para encerrar a entrevista, o que achou da nossa enquete?

RR: Achei ótima! Esse tema é muito comum na prática e fico muito satisfeito em saber que isso está sendo debatido. Fico à disposição para esclarecer qualquer dúvida das pessoas e não deixem de levar seus animais de estimação ao veterinário periodicamente. Os animais não precisam ir ao veterinário só quando estão passando mal, pois assim como nós, é melhor prevenir antes que uma coisa pequena se transforme em uma doença grave!