Jornal
A Notícia - 28 de março de 2006
Ibama propõe Exército para coibir farra-do-boi
Secretaria de Segurança Pública discorda do
uso da força contra a
manifestação
Florianópolis - Só há duas alternativas
para acabar com a farra-do-boi em Santa Catarina: através
da ocupação do Exército associada à
infiltração de agentes da Polícia Federal
ou com a normatização da atividade a fim de
que seja realizada em mangueirões. As possibilidades
são defendidas pelo fiscal do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente (Ibama), Roberto Cabral Borges, que atua
na Coordenação Geral de Fiscalização
Ambiental do órgão em Brasília.
As informações constam num relatório
interno do Ibama, o qual A Notícia teve acesso. O
funcionário chegou a essas conclusões após
vivenciar a farra-do-boi durante quatro dias em Governador
Celso Ramos, em março do ano passado. "A ocupação
deveria ser iniciada durante a madrugada para que a população
já acordasse com o policiamento instalado. A infiltração
de agentes da Polícia Federal visaria identificar
os mandantes, compradores de bois e incentivadores da atividade,
além de possíveis conexões com autoridades
municipais, estaduais e federais", diz Roberto Borges,
no documento.
Na missão a Santa Catarina (entre 25 a 29 de março
de 2005), o fiscal deu a entender ter ficado surpreso com
a suposta visão de policiais sobre a farra-do-boi,
os quais recebem ordem para não confrontar com os
farristas. Não pode, por exemplo, sequer entrar na
cidade com a viatura caracterizada do Ibama, pois se o fizesse
correria risco de apedrejamento e linchamento. O mesmo aconteceria
com as viaturas da Polícia Militar. "Torna a
situação angustiante e os incapacita de agir".
Ele aponta a existência de caminhos alternativos para
o transporte de bois e a fuga das barreiras, esquema que
teria o incentivo de funcionários da Prefeitura de
Celso Ramos, município cuja incidência da prática
é uma das maiores no Estado durante a Quaresma e
Semana Santa.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa
do Cidadão (SSP) reagiu ao saber das propostas do
funcionário do Ibama, como a ocupação
pelo Exército. "Isso é uma opinião
de quem vem de fora. Não é com o uso da força
que vamos acabar com a farra. Acabar com essa cultura leva
tempo", declarou o diretor-geral da SSP, coronel Dejair
Vicente Pinto. Na internet, continua em divulgação
uma carta aberta exigindo providências do próprio
governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) no caso. (Diogo
Vargas)