A CONDENAÇÃO P/ OS ASSASSINOS DE PRETA


PELOTAS (RIO GRANDE DO SUL) - Os três rapazes acusados de envolvimento na morte de uma cadela, que foi amarrada a um carro e arrastada pelas ruas de Pelotas, foram condenados a pagar R$ 5 mil ao canil municipal e obrigados a prestar 12 meses de serviços comunitários por maus-tratos contra o animal. A decisão foi determinada ontem pelo Juizado Especial Criminal de Pelotas. Fernando Siqueira Carvalho, 22 anos, Marcelo Ortiz Schuch, 21, e Alberto Conceição da Cunha Neto, 21, aceitaram a proposta apresentada pelo Ministério Público.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o local onde os acusados vão prestar serviços ainda não foi definido, pois eles informaram que mudarão de cidade. O crime, que aconteceu na madrugada de 9 de março, chocou os moradores da cidade.

Preta, como era conhecida, tinha um ano e três meses e estava prenhe. Ela foi amarrada no parachoques de um carro, e arrastada por seis quadras.

Abaixo, a notícia publicada no site da AILA:

 

JORNAL ZERO HORA - 05.05.2005 - PÁGINA 42 - PORTO ALEGRE/RS.

Após 27 dias de investigação, a Polícia Civil indiciou ontem quatro jovens no inquérito que apurou os maus-tratos contra a cadela Preta, em Pelotas. Três jovens, dois deles universitários, são suspeitos de atar o animal a um carro e arrastá-lo por mais de 500 metros, em Pelotas. Um quarto estudante, também universitário, foi indiciado por falso testemunho. Segundo o delegado Osmar dos Anjos, Fernando Siqueira Carvalho, 22 anos, estudante de Engenharia Agrícola, Marcelo Ortiz Schuch, 21 anos, aluno de pré-vestibular, e Alberto Conceição da Cunha Neto, 21 anos, estudante de Direito e de Engenharia Agrícola, estariam no Ka que puxou a cadela. O indiciamento foi por crime ambiental, cuja pena vai de três meses a um ano de detenção, além de multa.

O caso mais grave é o de Marcelo Oliveira D'Ávila, 23 anos, estudante de Direito, indiciado por falso testemunho, crime cuja pena varia de dois anos a quatro anos de reclusão. Conforme o delegado, D'Ávila se apresentou espontaneamente à polícia na tentativa de inocentar os amigos. - O depoimento dele foi desconstruído pela investigação - resumiu Osmar dos Anjos. Com quase 200 páginas, o inquérito foi remetido à Promotoria Criminal de Pelotas. Os promotores têm 15 dias para decidir se denunciam os indiciados ou pedem novas investigações.

Como não foi encontrado o corpo da cadela e nenhuma testemunhas disse ter visto os restos mortais, a polícia não afirma que o animal foi morto pelos jovens. - Não temos provas de que a cadela realmente foi morta. Apenas de que foi arrastada - esclarece Osmar. De acordo com a apuração policial, o suposto crime teria ocorrido na madrugada de nove de março, nas proximidades da Universidade Católica de Pelotas. Os quatro jovens bebiam em um bar e teriam se incomodado com os latidos de Preta, uma cadela vira-latas que vivia nas ruas e era alimentada por moradores das redondezas. Em depoimento à polícia, os jovens admitiram que ataram o animal a um poste, mas negaram tê-lo arrastado por cinco quadras, preso ao pára-choques do Ka.

O carro, de Cunha Neto, e três cordas apreendidas na casa dele foram periciados, mas o Departamento de Criminalística ainda não concluiu os laudos. - A ausência dos laudos não compromete o inquérito. Ouvimos mais de 15 testemunhas, e há elementos suficientes para o indiciamento - diz o delegado. Preta estava prestes a dar à luz. A notícia da crueldade repercutiu em todo o país.

fabio.schaffner@zerohora.com.br

O Indiciamento Ocorre quando o delegado, ao final do inquérito policial, acredita ter indícios razoáveis da autoria do crime. Ele faz um relatório com os indícios, indicando o crime supostamente ocorrido. O inquérito é encaminhado ao Ministério Público. Indiciados não podem ser considerados culpados pelo crime. Contraponto Nenhum dos quatro indiciados foi localizado ontem por Zero Hora para comentar a conclusão do inquérito: A reportagem esteve nas casas de Fernando Siqueira Carvalho e de Marcelo Oliveira D'Ávila, mas ninguém atendeu.

Em Piratini, ZH falou com o avô de D'Ávila, mas ele disse que não sabia como localizar o neto. Na casa de Marcelo Ortiz Schuch, em Pelotas, o pai do rapaz não quis se manifestar. O advogado Renato Varotto, contratado na noite de ontem, informou que ainda não teve acesso ao inquérito, mas afirmou que "houve um crime ambiental somado à histeria coletiva". Ele disse ainda que se manifestaria com mais precisão quando estivesse a par do inquérito. Na casa de Alberto Conceição da Cunha Neto, em Pelotas, ninguém atendeu ao telefone. Até o fechamento dessa edição, o advogado dele, Henrique Boabaid, não havia retornado as ligações de ZH.