02/02/2006
EXCLUSIVO: Vereador em Campinas (SP) coloca seu mandato
a serviço da proteção aos animais
Redação AmbienteBrasil
A
política pode estar diretamente a serviço
dos anseios do terceiro setor? A resposta é "sim"
quando se observa, como exemplo, o trabalho do vereador
Feliciano Nahimy Filho, da cidade paulistana
de Campinas. O parlamentar é presidente da ONG União
Protetora dos Animais – UPA -, entidade fundada por
ele há quase cinco anos, e admite ter feito de seu
mandato um instrumento para concretizar metas benéficas
a seus protegidos.
Os projetos elaborados
por Feliciano contemplam inúmeras espécies,
desde bois até cães e gatos. Entretanto, os
animais domésticos são os maiores beneficiários.
No ano passado, o chamado “protetor dos animais”
deu início a uma campanha de castração
gratuita de cães e gatos nas favelas da cidade de
Campinas, contando com o apoio de médicos veterinários
voluntários.
“Com a
ajuda de uma unidade móvel, equipada com vídeos
explicativos sobre a importância da castração,
percorremos a periferia da cidade realizando as cirurgias”,
conta o vereador. “Agora será inaugurado um
centro cirúrgico para esta atividade”, antecipa.
A iniciativa pode parecer cruel a alguns olhos, mas evita
uma reprodução desordenada que, depois, resulta
quase sempre em abandono e maus tratos aos filhotes.
O vereador também
protocolou um projeto de lei que obrigaria os veterinários
a identificarem os animais recém-castrados, a fim
de evitar que estes sejam submetidos a outra cirurgia deste
tipo erroneamente. De acordo com Feliciano, isso evitaria
o sofrimento e o risco de vida, além do desperdício
de recursos. A iniciativa foi vetada pelo prefeito, porém,
estima-se que o projeto será reapresentado neste
ano.
Um projeto de
lei proposto pelo vereador já foi sancionado pela
Prefeitura de Campinas. A iniciativa denomina-se Cadastro
Geral Animal – CGA. Segundo a lei, que está
em processo de regulamentação, os donos de
cães e gatos são obrigados a cadastrá-los
junto à Prefeitura Municipal. No procedimento, os
animais recebem uma plaqueta de identificação
e tiram uma foto digitalizada para o banco de dados do Município.
Segundo Feliciano, a idéia é ajudar os proprietários
que perdem seus bichos de estimação. “Em
Campinas, existem de 15 a 20 mil animais abandonados, aproximadamente.
70% deles foram perdidos por seus donos”, afirma Filho.
O vereador completa: “A medida vai reduzir custos
operacionais e eutanásias”.
Outro projeto
parecido foi proposto por Feliciano Filho: a implantação
de identificação eletrônica nos animais
após a aplicação da vacina anti-rábica.
“Isso vai facilitar o trabalho do Centro de Controle
de Zoonozes – CCZ -, que pode descobrir com facilidade
os donos dos animais abandonados”, comenta o vereador.
Os touros também
entraram para a lista de defesa de Filho. Considerada a
primeira vitória de seu mandato, a derrubada do projeto
de lei que permitiria a realização de rodeios
em Campinas foi resultado de uma campanha vereador a vereador
feita por Feliciano sobre o sofrimento imposto aos animais
nos eventos. De acordo com ele, a atividade trata-se de
tortura disfarçada e exploração dos
animais.
Outra proposta
do vereador foi a de proibir a retirada das capivaras dos
parques públicos e conseqüente doação
a criadores particulares. “Este ato é moralmente
indefensável, já que esses estabelecimentos
pertencem à iniciativa privada e auferem lucros,
aumentando sua renda”. Como alternativa para o problema,
o vereador sugeriu que as capivaras fossem recolocadas em
seu habitat natural. A proposta foi vetada pela prefeitura,
e será reapresentada neste ano.