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03/05/2005
Audiência
da Camara dos Deputados não esclarece suspeita de tráfico
de animais
A suspeita de tráfico de animais envolvendo os zoológicos
de Brasília (DF) e Goiânia (GO) investigada pela
CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito da Biopirataria
não foi confirmada na audiência pública
realizada nesta terça-feira (3), na Câmarad os
Deputados. Depois de ouvirem autoridades federais e estaduais,
um criador de animais e um diretor de jardim zoológico,
os deputados não conseguiram comprovar se há
uma rede de criminosos por trás das transações
que estão sendo investigadas pelo Ministério
Público do Distrito Federal.
No encontro,
o diretor de Zoológico de Brasília, Raul Gonzalez
Costa, não soube explicar a origem dos atestados de
óbito de animais doados a um criador particular que
foram anexados no processo aberto pelo Ministério Público.
Segundo ele, cópias dos documentos só chegaram
ao seu conhecimento por intermédio de sua assessoria
jurídica, durante consulta ao processo. "Em todos
os registros do jardim zoológico consta saída
como animal vivo. No livro de necrópsia não
consta o lançamento do animal. Em nenhum documento
oficial do zôo consta saída como animal morto."
Costa
informou que está sendo realizada uma sindicância
interna na instituição para averiguar se os
documentos existem ou não. A promotora de Justiça
no Distrito Federal Kátia Christina Lemos, no entanto,
informou que os atestados foram anexados a partir de documentos
obtidos no próprio zoológico.
Licitação
- Raul Costa afirmou também que há exagero no
relatório do Ibama- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis que aponta irregularidades
na conservação e ilegalidade nas trocas de animais
realizadas pelo zoológico com criadores particulares.
Ele ressaltou que o procedimento realizado com o criador de
Goiás foi legal e é caracterizado como "doação
qualificada".
O deputado
Mendes Thame (PSDB-SP), no entanto, citou a Lei de Licitações
para afirmar que as doações de bens públicos
são vedadas e questionou se o diretor do zoológico
tinha conhecimento disso. Em seu depoimento, Costa assegurou
que os animais saíram vivos do Zoológico e tinham
licença do Ibama para serem transportados. "Se
não queremos que criadores particulares criem animais
silvestres ou vendam animais em extinção, temos
que mudar a lei", afirmou.
Criação
desconhecida - O último depoente da CPI da Biopirataria,
o criador de animais de Goiás, Noel Gonçalves
Lemes, não soube detalhar o número de animais
de sua propriedade nem as transações comerciais
feitas nos últimos anos. Ele terá uma semana
para enviar os documentos referentes a vendas de animais,
ao número de exemplares e às espécies
que compõem o seu plantel. Lemes também deverá
detalhar as informações que constam do site
de sua propriedade.
O criador
ressaltou que, ao ser convocado para depor na CPI, não
sabia que dados teria que trazer, mas colocou toda a documentação
da empresa à disposição dos deputados.
Sobre a doação de sete animais recebida do zoológico
de Brasília em 2002, ele confirmou que deu uma contrapartida
para o zôo em forma de equipamentos. Em seu depoimento,
Lemes afirmou que nunca vendeu animais para o exterior e que
não trabalha com animais em extinção.
Tráfico
- A promotora de justiça do DF Kátia Cristina
Lemos criticou "a ineficiência do Ibama para verificar
a origem dos animais e para fiscalizar as atividades de criadores
particulares". Ela apresentou documentos de uma investigação
do Ministério Público sobre uma suposta permuta
que envolveu a doação de animais dos zoológicos
de Brasília e de Goiânia para um criadouro particular
de Goiás. Segundo a promotora, 153 animais desses zoológicos
estão com o criador. "A doação de
animais é ilegal e a permuta só pode ser feita
com instituições que tenham as mesmas finalidades
científicas e educacionais", informou.
Kátia
acredita que seja preciso verificar que fim foi dado aos animais,
pois eles constituem patrimônio público. Ela
lembrou também que a existência desses fatos
pode sinalizar que o problema seja nacional.
As denúncias
de permuta e doação de animais dos zoológicos
de Brasília e de Goiânia para um criadouro particular
em Goiás podem ser a indicação da presença
de organizações criminosas que atuam no tráfico
de espécies no Brasil, segundo o delegado de Meio Ambiente
da Polícia Federal, Francisco Serra Azul. O delegado
informou que a Polícia Federal já pediu ao Ibama
os documentos relacionados às permutas dos animais
entre zoológicos.
Sobre
a legislação ambiental existente no País,
o delegado afirmou que é "muito frágil".
Ele citou o caso de dois alemães presos em 2004 tentando
embarcar, para fora do País, com dez aranhas. Os dois
acabaram soltos. Como informou Francisco Serra Azul, a multa
para os alemães foi de R$ 500 por cada um dos animais,
que foram doados ao Ibama.
Para solucionar
o problema de informações sobre a origem dos
animais, o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) sugeriu a
criação de um registro nacional de animais em
zoológicos e criadouros para que haja maior controle
dos exemplares nativos e exóticos existentes no País.
Segundo a promotora Kátia Cristina Lemos, a legislação
brasileira é falha em relação a animais
em extinção e a criadouros particulares. Segundo
ela, esses assuntos precisam ser mais bem regulamentados.
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